Barroco: o estilo que nós, mineiros, conhecemos muito bem

Quando estamos na escola sempre acontece aquela excursão para Ouro Preto e Mariana para visitarmos os museus e as igrejas de lá. Por isso, nós, mineiros, conhecemos muito bem, um estilo de arte, o Barroco. O artesão mais famoso de todos os tempos, chama-se Antônio Francisco Lisboa, mais conhecido como Aleijadinho. Para quem não sabe, Barroco, é um estilo artístico, do século XVII, que retrata seus temas com dinamismo, contrastes fortes, dramaticidade, exuberância e realismo e uma tendência ao decorativo, além de manifestar uma tensão entre o gosto pela materialidade opulenta e as demandas de uma vida espiritual.

Depois da pequena explicação (obrigada Wikipédia!), você está se perguntando aonde eu quero chegar com isso, certo? Em BH está acontecendo uma exposição sobre o Barroco e por ser fã desse tipo de arte e do Aleijadinho eu sabia que tinha que ir. A exposição se chama: Barroco Itália Brasil – Prata e Ouro e fica na recém inaugurada Casa Fiat de Cultura, localizada no antigo Palácio do Despachos, que faz parte do Circuito Cultural da Praça da Liberdade (falarei muito disso!). A CFC ficava no bairro Belvedere, junto a escola Fundação Torino e ela sempre trouxe grandes exposições para BH, então sabia que não tinha como ser ruim. Dentro do espaço, no Térreo, tem um café da Frau Bondan, marca de chocolates e guloseimas que tem lojas em Lourdes e no shopping Pátio Savassi, além de uma livraria.

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A exposição em si, fica no terceiro andar e não demanda muito tempo, pois são apenas 40 obras. Você deixa sua bolsa no guarda volumes e não se pode tirar fotos no local, então as fotos que vocês estão vendo aqui são da internet ok? A exposição retrata dois barrocos, um brasileiro e um italiano, divididos em dois ambientes, sendo que eu comecei pelo lado brasileiro. Primeira observação, a maioria das obras realmente eram do Aleijadinho, mas tinham outros artistas menos conhecidos, mas não menos encantadores como Mestre Valentim e Mestre Piranga, além de artistas mais atuais (e vivos!) como Maurino de Araújo . Todas as peças são ricas em detalhes, as expressões das esculturas todas impressionantes e a maioria tinha algum detalhe em ouro. Tudo lindo, mas nada que eu não tivesse visto nas cidades históricas.

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Passando para o lado italiano, eu fiquei impressionada. O barroco italiano é M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O! Todas as esculturas, bustos etc, são feitas de prata e algumas tem detalhes em pedras precisosas. Os detalhes dos rostos, das vestes, os desenhos feitos sob a prata, deixa tudo mais rico e lindo. Muita gente não sabe, mas o Barroco nasceu na Itália, no século XVII, e, só depois, se difundiu para o restante do mundo, inclusive o Brasil. Entretanto, para ser bem sincera com vocês, eu não conhecia esculturas famosas deste estilo, muito menos em prata. Um fato interessante é que todas as peças foram feitas por ourives famosos na época, então elas são realmente muito bem feitas e bem elaboradas.

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No fim das contas, são duas versões de um só movimento artístico. O paralelo, da arte sacra brasileira com a italiana, mostra que os materiais são diferentes, os lugares diferentes, as épocas diferentes, mas a idéia é a mesma, o conceito é o mesmo. Isso, meus queridos, a escola não ensina.

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A exposição terminará dia 07 de Setembro, então aproveitem a oportunidade para verem várias peças que ficam espalhadas pelo mundo, (Ouro Preto, Rio, Napoli, etc) juntas! Fica aqui o convite para um programa diferente para o fim de semana. Quem sabe antes de ir almoçar ou sair para um cinema? Alguém já foi? Gostou, odiou…não importa, quero saber tudo!

HORÁRIO

3ª a 6ª das 10h às 21h | sábados, domingos e feriados das 14h às 21h

PREÇO

O melhor de tudo é que é GRÁTIS!

LOCAL

Praça da Liberdade, 10 – Funcionários

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Sintra, a pequena e charmosa vila portuguesa

Depois de muito pensar sobre qual local seria o tema do primeiro post de viagem no seu sentido próprio (percorrer, visitar, sair de onde você mora) resolvi escrever sobre Portugal. Mais precisamente Sintra! Você deve estar pensando: nossa, não é nem a capital, nem a segunda maior cidade (oi, porto, oi mô!), o que esse lugar tem de interessante?

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Realmente, Sintra não é nem uma cidade, ela é uma vila super charmosa que fica na Grande Lisboa. Ela é tão pequena, que você conhece em um dia. Normalmente, os roteiros tradicionais saem de Lisboa para Sintra e foi isso que fiz. Peguei o trem na estação Rossio em Lisboa, mas qualquer uma que tenha ligação com o Metro, terá a linha para Sintra. O ticket poderá ser comprado na máquina ou diretamente com a pessoa no balcão. Os trens saem de 30 em 30 minutos, a passagem custa 2,15 euros e a viagem dura um pouco mais de meia hora. Não tem erro, é super fácil.

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Chegando em Sintra, o melhor jeito de circular para conhecer tudo é pelo ônibus que fica já na saída da estação. Você pode usá-lo quantas vezes você quiser. O ônibus te leva a todos os pontos importantes do local e é super confortável.

Primeira parada obrigatória: Palácio da Pena. O palácio é diferente de tudo que eu já vi, ele é colorido, tem uma vista linda e o estilo dele não tem nada parecido com os castelos franceses ou alemãs tradicionais, de conto de fada. Normalmente os palácios europeus tradicionais viram museus com quadros importantes (ex. Versailles) e não mantém as mobílias da época em que ainda viviam reis e rainhas ali. Nesse caso, foi diferente, está tudo intacto! Então você pode ver a cama onde eles dormiram, a louça que eles usavam e onde os pomposos bailes aconteciam. Moraram ali a filha de Dom Pedro I, Rainha Maria II com seu marido Fernando, quem comandou as obras e requereu um castelo extravagante. Os meus pontos altos são: o quarto da Rainha (vista espetacular!), o salão de baile e a sala árabe. A visita para ver todo o Palácio dura no mínimo uma hora e custa 7 euros. O horário de funcionamento é de 16 Set -30 Junho 10.00 – 17.30 / 01Julho – 15 Set 10.00 – 19.00 e a última entrada ocorre 1 hora antes do horário de fechamento.

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Logo abaixo do Palácio, tem outro Castelo, chamado Castelo dos Mouros, datado do século VIII, que se encontra em ruínas. Se pode andar nas muralhas e admirar a bela vista, mas não demanda muito tempo. O ingresso custa 3,50 euros e o horário de funcionamento 9h30 – 18h00
e a última entrada às 17h00.

Pegando o ônibus novamente, ele te levará até o centro da vila onde tem outro palácio. O Palácio Nacional de Sintra não tem uma arquitetura tão exótica que nem seu irmão do alto da serra, nem mesmo jardins como Versailles, mas isso não significa que ele não tenha seu charme. As duas chaminés são vistas de qualquer parte da vila e ele foi residência oficial da coroa portuguesa ate 1880. Na parte interna, ele é recheado de salas com mosaicos, desenhos e pinturas de várias formas, cores, tamanhos e temas, – inclusive aves como cisnes e pegas (em homenagem as fofoqueiras!) – mas dois lugares são especiais, a Sala dos Brasões, com seus azulejos nas paredes e teto majestoso e a Capela, que tem até hoje o teto original datado do século XIV. A visita dura no mínimo 1 hora, o ingresso custa 4 euros e o palácio está aberto das 10h00 às 17h30 e a última entrada às 17h00, todos os dias menos quarta-feira.

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Passeando pelo centro você encontrará várias fontes lindinhas, a câmara municipal e a agência de correios decorada com azuleijos. Entretanto, há um lugar perto do Palácio Nacional, chamado Casa da Sapa. Não, você não leu errado, caro leitor. Casa da Sapa é um café super aconchegante que tem como especialidade os doces típicos de Sintra, as famosas queijadas e os travesseiros, acredite você vai querer mais de um. O primeiro é feito de queijo com canela e o segundo é folhado de amêndoas, tudo de comer ajoelhado como se diz aqui em Minas.

Um fato interessante é que a vila inteira é considerada patrimônio da Unesco, por isso, está tudo muito bem conservado e limpo. Acabando o dia, pegue o trem de volta para Lisboa e coma aquela bacalhoada (para quem não come, assim como eu, os restaurantes de Portugal oferecem muitos pratos deliciosos!) e tome aquele vinho delicioso.

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Deu vontade de ir? Espero que tenham se interessado! Alguém já foi também? Compartilha comigo sua experiência, vou amar!

Camille e Rodin

Belo Horizonte não é uma São Paulo em termos de ter muitas variedade peças de teatro, mas recebemos muitas durante o ano. Por isso, quando meu pai leu sobre Camille e Rodin e nos convidou para ir, como não ir? A peça só iria ficar um final de semana aqui e fomos nesse último domingo. Para aqueles que pensam que teatro é caro, a inteira era 40 reais, então acredito que de vez em quando, para uma peça que é de seu interesse vale a pena.

A peça foi no Teatro Bradesco, que fica no Minas Tênis I. O teatro é novinho, ótimo, super confortável, o som é excelente, tem acessibilidade para os cadeirantes. Só tenho uma crítica, não tem um corredor no meio, por isso as fileiras são imensas, fazendo com que as pessoas tenham um certo problema para se locomover. Tirando isso, o Minas e o Bradesco estão de parabéns!

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Quem não está de parabéns são as pessoas que vão a esses eventos e não desligam ou, no mínimo, colocam o celular no silencioso. Os atores pararam a peça três vezes devido a celulares tocando! Não custa nada gente! Claro, que acontece de você esquecer uma vez ou outra, mas podemos tomar um cuidado no teatro ou cinema para não atrapalhar ninguém né?

Agora, vamos ao que interessa! A PEÇA!A peça foi incrível, ela está em cartaz pelo Brasil há 2 anos e conta com Leopoldo Pacheco (Valter, em Jóia Rara!) e Melissa Vettore como atores. O cenário é simples, sem muitos efeitos especiais, mas era coeso e dava a possibilidade de fazer vários momentos vividos pelas personagens. Rodin e Camille é um drama baseado na vida real de dois grandes escultores franceses, Auguste Rodin e Camille Claudel. Conhecia Leopoldo pelo seus trabalhos na Globo, então sabia que ele era bom, mas quem realmente se sobressaiu e me surpreendeu positivamente foi a Melissa. A atriz, que não é muito conhecida, brilhou, se entregou completamente a personagem que demandava falas dificílimas e uma intensa expressão corporal.

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A peça se passa em Paris e são flashbacks lembrados por Camille enquanto ela está internada no manicômio. A história é intensa, mas é real. Camille era uma escultora que tinha problemas em ser aceita pela sociedade machista de sua época, que acreditava que mulher não podia ser escultora ou, se fosse, só poderia fazer certos tipos de esculturas, como bustos, mas nada como mulheres ou homens nus. Além disso, ela se apaixona pelo seu mestre, Rodin, e aceita viver como sua amante por 15 anos, vivendo intensamente com ele. Entretanto, ela ficou frustrada de ser a outra e percebeu que ele não largaria a primeira namorada e mãe de seu filho, Rose, e, por isso, decidiu largar Rodin. Na mesma época, ninguém comprovava sua obras e, pior, as pessoas fizeram boatos que quem fazia as suas obras era Rodin. Camille ficou em um forte estado depressivo, nutrindo um sentimento de amor e ódio por Rodin, passando a ter alucinações. Seu irmão, diplomata, a internou em um manicômio e foi lá que ela passou seus últimos 30 anos de vida, enquanto Rodin se tornou super conhecido e se casou com Rose depois de 55 anos de relacionamento.

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Os trabalhos dos dois escultores são impressionantes e realmente há muitas semelhanças entre eles, por isso separei os meus favoritos para vocês verem. Eu adoro as expressões francas das peças de Camille e as formas perfeitas de Rodin. A maioria das peças de Camille foram destruídas por ela, mas algumas permaneceram intactas. As obras dos dois estão, em maioria, em Paris no Museé Rodin. Alguém já foi? As minhas escolhidas foram “O Beijo” e o “O Pensador” de Rodin que são clássicos, que mostram a destreza que ele tinha com o mármore, fazendo formas perfeitas do corpo humano. Já o meu favorito de Camille é “A idade madura” , que é um retrato de Rodin escolhendo Rose e deixando ela para trás, a realidade da peça faz com que ela fique ainda mais viva e rica em detalhes como as expressões dos representados.

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Infelizmente, a peça só ficou aqui por um fim de semana. Se voltar aviso vocês. A programação do Teatro inclui Disney Live e Rafinha Bastos, então tem para todas idades e gostos, o site dele tem todas as informações e preços dos próximos eventos.
http://www.teatrobradesco.com.br

Quero saber se alguém foi nesse fim de semana e o que vocês acharam, além disso me contem se tem alguma peça que vocês amaram e que seja um must see! Já sabiam da história de amor e arte de Rodin e Camille, gostam das obras deles? Me contem tudo!!!

Começo de tudo… E o MAO!

Começar algo novo é no mínimo interessante, você sente mil coisas ao mesmo tempo, ansiedade (será que vocês vão gostar?), felicidade (queria fazer isso a muito tempo!), frio na barriga e coragem. Coragem, sim, para enfrentar os seus medos e se jogar de cabeça no que você quer. Não fiz esse blog antes, porque não sentia segura o suficiente para expor minhas idéias, tinha medo do que os outros poderiam pensar, mas depois de muita conversa com as pessoas importantes da minha vida, vi que isso é uma bobagem. Você terá críticas sempre, mas isso não significa que você também não terá feedbacks bons ou palavras de apoio e carinho. Por isso, resolvi tentar e ver no que dá, se não, nunca iria saber né?

Depois do meu parágrafo introdutório, vamos ao que interessa! O que escrever no primeiro post? Tinha que ser algo que eu amasse, algo especial. Resolvi escrever sobre um lugar lindo de BH, que poucas pessoas do meu ciclo conhecem e que tem um significado muito especial para mim: O Museu de Arte e Ofícios. Conheci o MAO no meu aniversário de 2013 e me surpreendi. O museu é localizado no prédio da antiga estação da Estrada de Ferro Central do Brasil, na Praça da Estação. A praça passou por uma intensa reforma em 2007, devido as obras da Linha Verde, o que deixou o ambiente mais limpo, mais bonito e mais conservado.

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O prédio por si só já é lindo (no dia em que fui, estava recebendo flores para um casamento a noite), ele tem um estilo eclético, com o famoso relógio em sua torre.

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O MAO conta de forma interativa, tecnológica e muito organizada os ofícios desenvolvidos pelo homem no período pré-industrial brasileiro. São 15 ofícios representados, com ferramentas, utensílios, máquinas e equipamentos utilizados pelos trabalhadores entre os séculos XVIII ao XX. O diferencial do MAO é ser o único do país dedicado integralmente ao trabalho. O legal é ver onde tudo começou, o que era considerado novo, desenvolvido em 1700 e bolinha. Muitas das profissões que desempenhamos hoje começaram a muito tempo, muitos dos aparelhos que usamos hoje tem seus ancestrais lá representados. Se hoje temos dificuldade de ficar 5 minutos sem usar um smartphone, um computador ou a internet, como seria naquela época onde isso não existia? O que está ali representado era considerado desenvolvido para época, e foi a partir deles que temos muita coisa que temos hoje, como as máquinas geradoras de energia, as máquinas de costura, os meios de transporte… São cerca de 2.000 peças no acervo, que com duas horinhas do seu dia você conhece.

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COMO CHEGAR?

Perto do museu tem muitas placas indicando o caminho, da para ir de carro tranquilo e parar na rua lateral perto do batalhão de polícia. A estação central do metro (se podemos chamar aquilo de metro!) de BH esta localizada na praça, por isso dá para usá-lo também. Há vários ônibus que passam na Av. Andradas, por isso, ônibus também pode ser uma alternativa viável para chegar.

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HORÁRIO

O MAO fecha somente as segundas. Nas 3ª e 6ª das 12h às 19h, 4ª e 5ª das 12h às 21h, sáb. dom. e feriados das 11h às 17h.

PREÇO

O ingresso custa 5 reais (inteira) e 2,50 reais (meia-entrada). Nas quartas e quintas das 17 hrs as 21 hrs a entrada é franca, assim como no sábado. Estudantes e professores devidamente identificados e menores de 5 anos também tem a entrada gratuita.

O site deles tem mais detalhes se alguém se interessar: http://www.mao.org.br/

As fotos são de autoria do Victor Carneiro, meu parceiro nessas aventuras e na vida!

E aí? Alguém já foi? Curtiu? Deu vontade de ir? Gostou do meu primeiro post? Me conta!!!! To curiosa pelos seus comentários.